quarta-feira, 5 de maio de 2010

Para quando a morte chegar

dm_medecin

Ele sentia que a morte ia chegar

Mesmo ao respirar

Sabia que um momento ela poderia parar

Assim que o inverno chegar

O vento frio, uma carta trará

Desesperado ele a lerá

Sabendo que sua morte ia chegar

Ao de súbito percorrer

Com os olhos o que deixaria ao morrer

Não pode deixar de estremecer

Pois nem mais o chá conseguiria beber

Sem pensar no dia que iria morrer

Seu velho hábito de sorrir

Ao pensar nas coisas porvir

Desaparecera com um leve ruir

De uma porta a se abrir

Ele lá parado

Por vezes apavorado

De ver o vulto ali, estacado

De repente, ao seu lado

Com o olho esbugalhado

Completamente extasiado

Olhando para o rosto suado

Daquele que estava amendrontado

Mortificado

Naquela poltrona sentado

O jornal ao seu colo pousado

O gato deitado no sofá fugira assustado

Talvez ficara enauseado

Com o cheiro acre excretado

Por aquele corpo, outrora rebentado

Não sabia se de tiro fora executado

O corpo escondia-se abrigado

Num capote todo rasgado

E outrora costurado

Talvez o carrasco, coitado

Tivesse usado em seu ultimo condenado...

Mas o que era aquilo?

Que afligia o homem, antes tão tranqüilo?

Que conseguia falar do universo desconhecido

Como se fosse um livro esquecido

Por gerações procurava com afinco

Maneiras de burlar aquele segundo infinito.

Sim, a morte

Dessa vez o homem não teria tanta sorte

Se por ventura houvesse um motivo torpe

Uma troca, uma barganha simples, um dote

Que não a fizesse ser por agora sua consorte

Ao adentrar os muros da triste morte

Morte

Quando vier, estarei preparado para ti, morte!

Com armas na mão, segurando com pulso forte

Apertarei o gatilho, meu chumbo contra seu capote

Venha agora, não deixarei restar de ti nem um filhote!

Depois de ti, o mundo será minha estrela do norte!

Assim ficou o homem a divagar

Enquanto sua alma ela veio buscar

O chá na mão a esfriar

O jornal no colo a repousar

Seus olhos, para o nada olhar

Enquanto o gato fugia a miar

E o homem, coitado, ainda a se preparar

Para quando a morte chegar...

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Além de tudo, amigos

Até que ponto poderíamos dizer que somos amigos de uma pessoa? Até que ponto podemos dizer que temos um amigo?

A amizade em si já é uma coisa complicada desde a sua concepção. Uma afinidade torna-se um laço fortalecido a cada dia por uma série de coisas que vemos ou fazemos que nos remete diretamente a esse amigo. Aí entramos em contato com essa pessoa, que até pouco tempo não tinha tanta importância, de uma forma diferente das outras. Os telefonemas se tornam mais constantes, as confidências encontram seu lugar comum, o mundo inteiro é construído dentro desse círculo, que pode conter desde uma pessoa até uma infinidade delas. Torna-se legal ser altruísta, ter aquela palavra certa na hora certa, e tudo o que fazemos é para agradar esse amigo tão importante.

Mas, considerando tudo além do que vemos inicialmente, o que será que fazemos para “ajudar” um amigo? Meus amigos mais próximos hoje não são os mesmos que eu tinha perto de mim há alguns anos atrás, mas poderia dizer que é uma história que se repete. E pior ainda, é uma história que você vê repetindo porque esse fato aconteceu com você. Na época, estávamos perdidos quando vimos aquela enxurrada de problemas se aproximando, não tínhamos noção do que fazer, e mesmo assim, conseguimos passar por isso vivos para contar aos nossos futuros amigos a sua saga. Por isso tentamos ajudar um amigo, justamente para ele não ficar no lugar onde você estava anteriormente. Reparem que eu escrevi “tentamos”. Porque, quando nós estávamos nessa mesma situação, talvez houvesse um outro amigo que lhe deu o mesmo conselho que hoje você compartilha com essa nova pessoa. E será que você ouviu essa pessoa antes? Será que pôs a mão na consciencia e disse “sim, ele está tentando me ajudar, será exatamente isso que eu farei”? Ou talvez o motivo da recusa de seguir seu conselho faça o seu novo amigo ser tão importante, porque ele lembra você no passado?

Experiência é uma coisa irônica. Só conseguimos quando é extremamente tarde. E depois, quando já temos a experiência, não há muitas pessoas que querem ouvir a história da sua vida. Todos continuam com seus problemas, sejam eles semelhantes aos seus ou não. Se eles vão conseguir sair dessa fase como você saiu antes, isso nem eu, nem você nem ninguém sabe dizer.

Mas eu arriscaria ir mais além nesse pensamento. Me arriscaria a perguntar porque Diabos temos que tentar mudar a vida dos outros? Quero dizer, será que a pessoa quer realmente que sua vida seja mudada? Porque nos agarramos a conceitos personalizados de como sair desse problema, sendo que essa pessoa, nosso amigo, pode acabar encontrando uma forma de resolver isso do mesmo jeito que nós conseguimos, e sem seguir conselhos de ninguém. Talvez os conselhos, ao invés de fortalecer uma opinião, acabam deixando as decisões da outra pessoa mais miseráveis que antes. Ela com certeza não precisaria ouvi que sua vida está uma porcaria, que suas decisões estão erradas, que ela vai acabar se ferrando se for até o fim. Ela precisa é de um ombro amigo algumas vezes. Não que eu esteja querendo dizer que nunca mais vou aconselhar meus amigos, longe disso. Mas acho que eu mesmo sou duro demais com eles. A preocupação deve existir, mas ainda assim, temos que ter a empatia em maior quantidade que a preocupação, para podermos ver que, seja lá de que jeito nós conseguimos sair do problema que ele enfrenta agora, essa pessoa que você se importa quer, antes de mais nada, alguém para ouvir seu caso. Talvez no final da narração dele haja a resposta milagrosa que vai solucionar seu problema, e ficaremos com raiva por não termos pensado nisso antes.

Porque eu estou escrevendo isso, eu me pergunto. Acho que a resposta está implícita. Não se pode mudar todo mundo. Mas podemos mudar a nós mesmos. Não de todo, pois assim perderemos nosso amigo, mas em doses homeopáticas, de pouco em pouco. Eu mesmo mudarei um pouco minha atitude quanto a meus amigos. Seus problemas são, é claro, meus problemas desde o minuto que ele me contou. Mas o mundo não gira ao meu redor. Ele gira ao redor de todos, e eu não posso e nem devo tentar mudar isso. Por isso, eu peço desculpas de antemão a todos os que foram vítimas de minha vontade altruísta autocrata. Eu mesmo não tinha reparado o quanto eu faço sofrer por querer forçar uma saída para um problema.

old-friends

Se eu enlouquecer um dia

insane-insanity-plea-straight-jacket-crazy-nuts Se eu enlouquecer um dia, gostaria que todas as pessoas que me odeiam que me deixassem em paz. Não venham me cobrar dinheiro ou antigas dívidas de bebidas ou discussões. Apenas me deixem com minha loucura comedida.

E já que eu estarei louco, peço a todos os meus amigos que me acolham não em seus lares, mas na área do cérebro chamado “paciência”. Sei que muitas pessoas não vão querer saber das minhas teorias de conspiração porque eu estarei louco, mas pelo menos ouçam.

Quando eu estiver na praia, por favor, abram espaço a mim e minha loucura, para que possamos aproveitar mais aquele pedaço de paraíso do que todas as outras pessoas que, com medo de se tornarem loucas como eu, deixam dentro de si todo o ímpeto de fazer o que querem. Pois a loucura é isso, liberdade sentida e perpetrada de modo puro e simples.

Vou passar correndo na sua porta gritando ao mundo coisas sem sentido, mas garanto que só será sem sentido para vocês, calmos e normais, que preferem uma vida terrível dentro de uma ostra do que simplesmente gritar para limpar as gargantas de todas as sujeiras que acumulamos depois de um dia inteiro de trabalho. Porque loucura é isso, simplesmente aliviar toda a tensão em gritos, correrias descompassadas e gargalhadas extremas.

Recitarei poemas de amor ao invisível do meu lado. Por favor, nesse caso eu imploro, não interfiram. Eu estarei conversando com a pessoa mais amada do meu mundo, e você sabe como é esse lance de loucura, é uma vida tão cheia de compromissos que eu não terei essa oportunidade de novo tão cedo. Pegue papel e caneta e anote tudo, porque loucura é isso, é a simplicidade de sentimentos que muitas pessoas não têm e preferem manter dentro de castelos fortificados.

Vou ficar feio quando eu quiser, vou ficar bonito quando eu puder. Fuja de mim quando eu estiver bonito e bem-vestido, e aproxime-se quando eu estiver feio. Porque loucura é isso, é exteriorizar em você a sua loucura, para que sua mente fique tranqüila para pensar coisas normais.

Ficarei amuado e deprimido por dias. Não me atrapalhe, só fique do lado e não fale nada. Um ombro normal é bom de vez em quando. Porque loucura, meu amigo, é isso, perceber todas as mudanças do seu mundo interior e se recolher para aceitar tudo.

Vou cantar músicas em ritmo alucinante, vou falar de matemática como se fosse receita de bolo, vou parafrasear frases de filmes, vou viajar nos sonhos e aventuras alheias. Darei asas a criaturas lendárias e falarei com tanta convicção que todos acreditarão. Porque a loucura é isso mesmo. Você consegue convencer os outros que você é realmente um gênio, e não um louco. Como se essas qualidades se distanciassem.

Vocês vão achar esse texto grande demais para ler, e vão parar antes do fim. Não tem problema. É porque a loucura é assim mesmo. É amar tanto sua loucura que as palavras nunca vão ser o suficiente para exemplificar todo o sentimento.

Como disse Mário Quintana, “faça o que for necessário para ser feliz, mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples. Você pode encontrá-la e deixá la ir embora por não perceber sua simplicidade”.

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O olho mágico e suas lendas

23003_magic_eye“Bom dia, amigo”, disse uma pessoa, colocando a mão em meu ombro no supermercado. Depois de olhá-lo por uns instantes, e mesmo sem conseguir lembrar de onde eu conhecia aquele cara, eu respondi com um sorriso amigável e umas palavras curiosas. Estranho como usamos as palavras curiosas. Curiosas no sentido de querer saber algo que você realmente não quer saber. Eu, por exemplo, não queria saber da esposa daquele cara, da mãe, da filha e primos, ainda mais porque eu sequer lembrava daquele sujeito.

Penso que às vezes ficamos mecanizados demais. Não visitamos mais nossos amigos, nossa vida torna-se repleta de desconfiança até mesmo com parentes próximos. Quando abro a porta do meu apartamento na hora de sair para a faculdade, imediatamente todos os olhos-mágicos das outras portas se enegrecem. Todos curiosos pela vida alheia, algo que pudesse dar um sentido a alguma coisa que aconteceu durante seu dia. Por exemplo, algumas pessoas se perguntam porque eu fico quase sempre só em casa. Alguns vizinhos me ouvem conversando com minha amiga no telefone (e, de fato, temos muito a conversar). Mas eu posso dizer que, de 7 dias por semana, somente 1 dia uma pessoa vem a minha casa. Fica geralmente pouco tempo.

Baseado nesse fato, já ouvi relatos engraçados a meu respeito. Desde satanista até drogado. A mente humana encontrou seu anti-herói, então é hora de ampliar ao máximo esse acontecimento, para ter alguma coisa para falar, para descrever a seus amigos e parentes, e ter algum motivo para olhar pelo seu olho-mágico quando eu sair para a faculdade. Depois disso, o que acontece quando a lenda morre, é simplesmente um encontro casual em um supermercado, onde a pessoa consegue dizer até qual a sua colônia preferida, e voce não sabe absolutamente nada sobre ele. Para voce, ele é somente uma porta, um olho no olho-mágico, um transeunte que te viu chegar em casa as 2 da manhã de sexta-feira, que não tem uma esposa, uma namorada, um affair ou uma complicação. Logo, essa pessoa torna-se uma esponja, querendo absorver de voce qualquer coisa, um ato pequeno que dê vida aquela vida que, antigamente poderia ter sido igual a minha hoje.

Mas o cumprimento mecanizado e sem sentido, o “como vai”, “tudo bem”, deixa a pessoa que está esperando sua mensagem apreensiva. Ele não quer te dizer como ele está ou se está tudo bem. Ele quer que voce conte a ele o que está acontecendo dentro da sua casa, por detrás do seu olho-mágico, que ele percebe que nunca se enegrece quando uma pessoa sai do apartamento da frente. Ele quer saber porque meu interfone não toca, porque passo horas no telefone, porque cozinho para uma pessoa só, porque ouço as musicas que eu ouço, que cheiro de incenso é aquele que sai do meu apartamento, porque a segunda janela do meu apartamento nunca está aberta. O desespero toma conta da mente quando não acha as respostas que quer.

O Essencial e o Invisível aos olhos

É sempre o amor. Ele contagia, afeta, descompensa, acaba com velhos padrões, impõe novos, rompe nosso bom-senso. Era o tempo que eu achava que o amor era divino. Mas, se ele é divino, porque sofremos de amor? Porque nos vemos num redemoinho de acontecimentos inesperados, lidamos com a intolerancia do parceiro, que provavelmente, voce pensa, não te ama o tanto quanto você o ama. É uma forma de matar mais silenciosa que existe. Ele nasce no silêncio, cresce em terreno fértil e morre no outono de uma relação que empobreceu o solo outrora fértil do coração. Sempre que ele se vai, parece que morremos um pouco. E a cada relacionamento, a cada tentativa, a cada erro e a cada recusa, o solo desse coração torna-se um cerrado, com pouca vegetação, uma casinha destruída num canto, e sem vida nenhuma.

broken-house-285x300Mente quem fala que o amor não pede nada. Ele pede sim. Pede sua atenção, sua calma, sua respiração, seus batimentos cardíacos, seu sangue, seus pensamentos, seu suor, seu tesão, sua surpresa e, mais importante, pede sua falta de visão. Falta de visão para saber o que vai acontecer depois. “É consequencia da imprevisibilidade com que lidamos”. O que hoje parece ser a história de amor épico, amanhã torna-se um pesadelo vívido. Começam as decepções, o descaso (esse, ao meu ver, o pior de todos os pontos), as brigas, o amor torna-se tédio, rancor, raiva, ódio e, por fim, torna-se nada. Mas, engana-se quem diz que isso faz a pessoa aprender a lição. Ele, logo depois, está procurando outro amor, para semear naquele mesmo terreno devastado pelo amor antigo. Pode demorar o tempo que for, mas vivemos sempre em função daquele pequeno tempo que o amor toma tudo de nós. E depois, estamos vivendo a mesma coisa, o amor tomando sua calma, sua respiração, seus batimentos cardíacos, seu sangue, seus pensamentos, seu suor, seu tesão, sua surpresa e, não esqueçamos o principal, sua falta de visão.

Mente quem falar ou pensar que eu não procuro isso. Eu preciso disso também. Sei que estou no meu caminho. Quero viver como uma criança por uns dias, ou uns meses. Quero entregar para essa pessoa eleita o melhor de mim, sabendo que não serei criticado, roubado, assassinado. Não no começo da relação. Depois de um tempo, talvez minhas falhas torne a pessoa mais insensível comigo, ou eu com ela, eu não sei. Acho que devíamos esperar por isso algumas vezes. Não sempre, só o tempo necessário para que não soframos tanto quando o amor começar a entrar no seu crepúsculo.

Mas até lá, ame muito. Suporte algumas coisas, todos somos imperfeitos, não pense que voce é um anjo na terra. Talvez seus erros sejam mais gritantes que o dele, já pensou nisso? Caramba, pensei nisso agora, e começei a pensar em apagar esse texto inteiro. Mas depois eu reparei que, mesmo os melhores solos têm seus problemas. Suas pestes, seus insetos… De repente, um inseto pequeno chamado ciúme ataca a plantação, e deixa o lugar parecendo um cenário de filme de guerra.

Mas deixemos esses insetos de lado. O que temos que fazer é simplesmente tentar deixar nosso terreno fértil. Voce deve estar perguntando “mas não é ele que tem que cuidar do meu coração”? Claro que não. O que você está plantando é para ele, mas o coração é seu. Então cuide para que o ciúme não ataque a plantação toda. Só um pouco. Escolha os produtos que vai usar para enriquecer o solo, mas não espere nunca que ele pegue uma enxada para te ajudar. Ele vai fazer isso no começo, mas depois seu terreno vai ser só um terreno. Cuide de tudo, mas principalmente, cuide da casa no canto, lá no cantinho, lembra,na ilustração do cerrado? Pois é. E porque? Porque ali, na casinha, está o seu amor próprio. Se voce não cuidar da sua casinha, seu amor próprio vai embora, e voce vai cuidar da plantação sem notar. Quando vier os tempos de tempestade, sua casinha, que serviria de abrigo, vai estar cheia de buracos, infiltrações, a porta caída, sem luz… Aí, sabe o que vai acontecer? A pessoa que está sendo homenageada no seu “terreno”, vai partir para outro terreninho, onde não tem uma rosa plantada. Mas a “casinha” é uma mansão. Pense nisso também. Não é a fartura da sua horta que vale, e sim o tamanho do seu amor próprio. É só reparar.

Viu só, como o título condiz com o texto? No começo você nem pensava no coração como uma plantação. Depois pensou em alimentar sempre seu coração, mas se esqueceu da casinha. Tsc, tsc…. Não se preocupe, eu ainda to reconstruindo a minha.

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Bem vindo a todos

Bem vindo a todos. Pegue uma cerveja, ou você prefere vodka? Tem rum também, conhaque...
Sabe de uma coisa, pegue você mesmo, fique à vontade. Curta o show, ele é único. Certifique-se de que tenha desligado o celular, porque isso aqui não tem hora e nem dia para acabar.
ENJOY...

Influências

  • Aerosmith
  • Blackmore's Night
  • Devil Driver
  • Impellitteri
  • Led Zeppelin
  • Lost Weekend
  • Motorhead
  • Pain
  • Rainbow
  • Yngwie Malmsteen