quinta-feira, 15 de novembro de 2018

21 Gramas

21 gramas, o peso da alma. Acho que é pra contrabalançar com todas as toneladas de culpas, decepções, tristezas e remorsos. Porque coisas boas não pesam. Elas te fortalecem. Ou pelo menos tornam seu peso temporariamente menor.
Ajude a todos e se ajude no caminho. Ajude-se a se afundar em tristezas, crie um mar de lágrimas, navegue-o com o frágil material de seus sonhos. Veja-o ser surrado pelas intempéries das palavras, ser chacoalhado pelo vento da ira e inveja e egoísmo alheio. Seja abalroado pelas vinganças de terceiros. Seja trancafiado nos porões da memória. Apegue-se às esperanças de ser liberto, ou de fugir, e seja vendido como escravo de amores dolorosos e fúteis.
Eu navego em meu mar, segurando um para-raios, esperando pelo relâmpago derradeiro que me fulminará. E então meu mar de lágrimas vai secar e dar lugar a um deserto lindo, o oásis marcará o lugar aonde repousarão minhas cinzas.
21 gramas, porque não 21 minutos? Porque não 21 segundos? Porque não medir em tempos todo o vexame de uma vida?
Maldito coração prostituído, vendido, rifado, roubado, e inútil. Pare de bater, por favor. Só pare.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Blue


"Eu te amo"
"Eu te quero bem"
"Não me preocupo"
"Não me importo"
"Não sei lidar"
"Pede para outra pessoa"
"Você se preocupa demais"
"Um idiota falando por outro idiota"
"É tudo uma grande piada"
"Eu mostro quem manda"
"Você ainda vai cair feio"
"Você está interpretando errado"
"Eu não falei por mal"
"Estou longe, mas sinto sua falta"
"É você que não sabe das coisas"
"Você se culpa demais"
"Quando eu voltar, as coisas vão ser diferentes"
"Só vou sentir falta de você pelo sexo"
"Nunca vou sentir por outra pessoa o que senti por você"
"Lute para ficar vivo"
"É só uma fase"
"Você precisa de tratamento"
"Você está exagerando"
"Não podíamos ter terminado deste jeito"
"Você se apega demais"
"Não é o que você quer, mas é o que eu quero"
"Ainda vai acontecer um monte de coisas boas, você vai ver"
"Você enxerga tudo com lentes de aumento"
"Você dá atenção à coisas sem importância"
"Se você for embora, eu morro"
"Você está muito distante"
"Quero ver você ir embora daqui sem mim"
"O que você está pensando?"
O que?
Por quê?
Como?
"Você vai acabar sozinho"
"Nunca chorei por ninguém, não vou chorar por você"
"Acho que devíamos dar um tempo"
"Me desculpe se eu te deixei sozinho"
"Sinto falta dos nossos momentos"

E assim continua, a máquina dando corda, o palhaço esperando para sair da caixa, as máscaras penduradas na porta, o coração esmigalhado e costurado com arame farpado, o peito perfurado por lâminas de gelo, as lágrimas doendo ao sair.
Mas, ei! É só mais um dia, não é? O tempo resolve tudo. Um dia você vai esquecer e ser feliz...

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

NÓS E O PRECIPÍCIO.

10 pessoas paradas
100 vozes gritando
1000 sussurros comentando
"A felicidade sempre vem para quem a deseja".
A felicidade nada mais é que a junção de instantes de alegria.
O instante tem a duração de 3 segundos. Enquanto escrevo isso, já deve ter se passado quantos instantes? 10? 20? 1000? Não sei.
Todos nós estamos parados à beira do precipício que se expande conforme a enxurrada de lágrimas cai como uma tempestade. Alguns de nós têm sorte de não ver o chão faltar debaixo de seus pés no desmoronamento, no deslizamento de terra que é a frustração de planos e alegrias plásticas.
"Mas não se preocupe", dizem, "se ainda não é feliz, significa que ainda não é o final." Que frase barata! Devia vir estampada em caixas de armas ou munições. Ou então deveria vir gravada entre os nós da corda que cria a forca.
E quando abrimos os braços para acolher nossos queridos, esbarramos no sujeito ao nosso lado, e este cai desesperadamente, gritando por socorro, e não ouvimos porque estamos ocupados com a nossa própria felicidade emulada.
Por que se importar?
Por que parar de ser feliz para ajudar aquele que está pedindo ajuda?
É uma conta simples, na verdade.
Somos indiferentes, somos plásticos, somos egoístas, somos maus, somos debochados, somos ávidos por notícias ruins de outras pessoas, para justificar nossa vida que continua apesar da tempestade que cai sobre nós e torna nosso terreno cada vez mais frágil.
E olhando para o lado, vemos mais e mais pessoas junto a nós, esperando o quinhão que virá para alguém. E invejamos aqueles que a recebem, seja esse quinhão bom ou ruim. "Ele morreu". "Ele conseguiu um emprego", "ele terminou um relacionamento", "a esposa dele o abandonou". E damos graças aos Deuses por qualquer migalha de coisa que veio não pela Sua providência, mas por resultado de nossos atos. O espelho que fica posicionado à nossa frente nos empurra pra trás, sempre. E depois que caímos, o espelho permanece, as pessoas olham por um tempo, choram, colocam flores, depois se esquecem e seguem em frente.
É tudo uma ilusão. Tudo uma ilusão malfadada e fodida.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

vaidade

Tudo é vaidade.

Vendo o mundo atual, na sua corrente odiosa e intransigente, não consigo ver os "ventos de mudança" que muitos falam por aí.
Já temos guerras demais no mundo, por motivos reais e imaginários, entrelinhas e nuances de liberdade, mas que no fundo nada mais tem do que uma real dominação através de poder de fogo superior.
São pessoas assassinadas em embaixadas, sumiços, suicídios, uma onda de violência (premeditada?) gratuita, e uma total incapacidade mundial de se manter o controle. O motivo disso? Vaidade.
Ninguém quer dar o braço a torcer e mudar de opinião. Não queremos ser esbofeteados com um "eu te disse?", ou ganharmos a pecha de vira-casaca, ou mesmo ser agredidos na rua por pessoas que outrora concordavam com nosso ponto de vista.
Então engolimos nosso orgulho besta e seguimos a vida no silêncio interior, gritando coisas que não acreditamos, apoiando causas que não concordamos, nos estribando em vícios que não gostamos de ter, justamente por uma posição de conforto doentia que essa tal vaidade nos dá, sem saber o preço que pagamos por isso a cada momento.
Acho que tudo isso que eu falei pode não ter sentido algum. Amanhã eu posso vir com outra justificativa, outro texto imbecil falando asneira a meia dúzia de pessoas que não se importam. Mas pelo menos eu me dou o direito de lutar contra mim mesmo e mudar minhas opiniões a todo momento.


sábado, 20 de outubro de 2018

Amo. Odeio

Eu te amo. Eu me odeio.
Eu te odeio me amando.
Eu odeio te amar.
Quisera eu me odiar mais e te amar menos.
Quisera eu amar mais do que odiar a mim mesmo.
Eu te amo. Eu não me amo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Desespero

Desespero. Diferente do que vemos por aí, pessoas se descabelando, gritando, chorando aos berros, se atirando no chão, o estado de desânimo, desalento, se caracteriza pela total falta de ânimo para qualquer coisa. É como ser morno enquanto as pessoas são quentes ou frias. O morno é cuspido, jogado fora, pois não mata a sede, não sacia a fome, não da prazer ao paladar.

Desespero. Quem dera vir casado com o desapego. Desapegaria da minha vida de bom grado. Porque estou cansado de conversar com o desespero.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

areia.

Os sentimentos são como areia. Não importa se é areia de praia, ou de uma rua sem calçamento, de um deserto. Eles estão ali, juntos com milhares de outros grãos, cada um significando um sentimento diverso, seja para bem ou para o mal. A ventania, a erosão, as pisadas de animais ou pessoas acabam levando esses grãos para longe, mais distantes do que ela mesma imaginou, e pode tanto encontrar uma praia, ou um vaso de planta, como também pode se juntar com milhares de outros grãos sujos e se transformar em barro, lama, e talvez toda a virtude daquele sentimento/areia sofre uma mutação não prevista. Ela pode entrar no olho de alguém, pode acabar entupindo um encanamento, pode ser coadjuvante num deslizamento de terra que destrói tudo que encontra pelo caminho, ou também pode acabar em um vaso de planta que captará nutrientes para que uma semente cresça e produza uma árvore, uma planta, uma flor. Tudo depende de motivos alheios a ele. A areia não decide ficar e lutar contra a força natural, esta vinda não sei de onde, e então a jornada dela está sendo regida pelo acaso.

Assim é a humanidade. Não a humanidade de hoje. Mas a humanidade no decorrer da história, desde o começo de tudo. Ora, um grão de areia, se fosse dotado de pensamentos e anseios, tal qual um humano, com certeza não desejaria ser parte do monte que enterra abaixo de sete palmos de terra um corpo que outrora estava vivo, que era bom, que era mau. Ela nunca saberá se a pessoa que ela ajuda a manter ali embaixo estava desejoso de morrer, de interromper sua vida. Esse é um modo de dizer que, mesmo sem saber, estamos sempre afogados por grãos de areia sentimentais.

Esses grãos podem ser bons, pois juntam-se a outros grãos que o fazem crescer, fazer parte de um maquinário que dará força e vigor, fornecerá abertura para os nutrientes atingirem a semente recém enterrada para que ela cresça e se torne uma árvore, uma flor. Mesmo assim, essa migalha não se orgulhará e não terá sentimentos de grandeza, não será arrogante e com ares de liderança. Porque ela sabe (ou deve saber) que ela faz parte de um conjunto de outros grãos que farão o mesmo trabalho que ela.

Penso que a grande população mundial seja mais ou menos isso. Somos bons no começo. Fazemos de tudo para cairmos em solo fértil, para que mostremos o quão bom somos em fazer florescer algo que está além de nós.

Eu vejo todas as pessoas como grãos de areia. Ela são impelidas pelo vento das vaidades. Porque tudo é vaidade. Queremos saber mais do que os outros para nos gabarmos disso enquanto corrigimos outras pessoas. Queremos ser mais bonitos e chiques que outros para sermos invejados por aqueles outros grãos mais finos, que não conseguem se juntar à massa chique de outros solos.

Como eu queria ser um grão de areia, para voar , sendo carregado pelas asas do vento, sem saber o caminho, sem me interessar pela jornada, sem me preocupar com o destino final. Só eu e o vento. Cair em um lugar aonde ninguém saiba meu nome.

Mas a insistência de um jardineiro maior que eu me mantém preso a um invólucro que tenta se encher de alegria, enquanto eu mesmo sou oco, vazio. Se eu fosse uma concha, duvido que alguém ouviria o mar, mas sim, um lamento e um grande pedido de desculpas.

Selvagem é o vento, e fúteis são as tempestades que me afundam em um lugar alheio e diferente, mutável a cada dia, me deixando em eterna dúvida.

Bem vindo a todos

Bem vindo a todos. Pegue uma cerveja, ou você prefere vodka? Tem rum também, conhaque...
Sabe de uma coisa, pegue você mesmo, fique à vontade. Curta o show, ele é único. Certifique-se de que tenha desligado o celular, porque isso aqui não tem hora e nem dia para acabar.
ENJOY...

Influências

  • Aerosmith
  • Blackmore's Night
  • Devil Driver
  • Impellitteri
  • Led Zeppelin
  • Lost Weekend
  • Motorhead
  • Pain
  • Rainbow
  • Yngwie Malmsteen