terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Renascendo.

Um senhor veio ao meu encontro hoje. Feliz da vida, acabara de receber algumas moedas de um jovem, e falava exultante:
- Tá vendo essas moedas aqui, rapaz? - apontava-as na minha direção - Eu vou colocar num cofre, porque no ano passado, 2017, eu não pude dar um presente de natal ao meu neto.
Conforme foi falando, as lágrimas encheram-lhe os olhos. Não sabia se ele estava sendo sincero ou não, e de fato, não me importava naquela hora, e não me importa agora.
Abrindo a mão, algumas moedas, que não somariam nem R$ 1,20, brilhavam por entre os calos dos dedos, de tanto andar com um carrinho de feira pelo bairro, catando latinhas.
Mas para ele, aquilo era o maior presente do mundo, o maior do universo, e ele falava com um destemor, e uma certeza que eu nunca vira, ou não me lembrava de ver há anos.
Quando, depois de rir, falar e cantar, ele me pediu uma ajuda, e eu não titubeei. Abri a carteira e dei-lhe algum dinheiro.
Mais feliz do que tudo, ele disse:
- Esses valor que você me deu, mais os 5 reais que você gastou na padaria, mais 50 reais que você comprou comida, Deus vai te dar em dobro.
Concordei com o "amém" padrão, que todos estamos acostumados a dizer quando alguém nos abençoa, e ia seguir meu caminho, quando ele disse:
- Você vai me reconhecer quando eu mudar pra melhor?
Meio que pego de surpresa, assenti. Afinal, ele não era uma pessoa muito comum, e certeza, eu o reconheceria de novo se o visse. Mas isso não vem ao caso.
- Então, Deus vai nos dar em dobro todas as felicidades que damos aos outros.
E se pôs a andar, empurrando seu carrinho de feira, parecendo que ganhara na loteria.
E eu, embasbacado, acabei comprando, sem querer, algo mais valioso do que aqueles dinheiro que eu lhe dei.
Comprei uma certeza.
Engraçado, eu comecei esse blog há alguns anos, e desde então várias coisas aconteceram. Entrei na faculdade, tranquei, destranquei, mudei de instituição de ensino, tive colegas, tive amigos, tive irmãos, tive amores.
E o tempo, implacável como ele só, foi pontuando as frases de nossas vidas, e aqui estou eu. Terminei meu curso superior, alguns colegas viraram amigos, alguns amores se foram pela ação do tempo, e alguns amigos simplesmente partiram. Se sinto falta? Claro que sim. Não tenho sangue de barata. Mas sei que o tempo de cada um é algo extremamente pessoal, e não depende de nós garantir algo que pode desaparecer com o tempo. Porque o mundo gira. Hoje eu estou aqui, amanhã posso não estar, e se assim for, nada que eu fizer poderá mudar meu destino. Eu posso protelar, barganhar, mas nunca adiar. Porque o tempo é inexorável.
E foi necessário um completo estranho para me dar um presente que tantas pessoas tiveram a chance de me oferecer e não o fizeram. Agora cabe a mim passar esse presente para frente. Porque a felicidade nunca deve acabar em você. Ela passa por você e se conecta com outra pessoa lá na frente. Seja por causa de um dinheiro, seja por causa de uma palavra, um sorriso, um carinho, uma simples despedida.
Somos grandemente felizes com coisas tão pequenas, que às vezes eu invejo as formigas.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Feliz Natal.

Mãe, me perdoe, eu fiz algo horrível.
Eu segui meus instintos e paguei o preço
Ele foi mais alto do que qualquer imposto
A vasta maioria dos meus amigos se foram
Agora todos parecem vestir rostos de papel

Pai, eu convivi com meus demônios tempo demais
Para conhecê-lo melhor do que eu mesmo
As verdades compradas e vendidas
E os sentimentos emprestados foram devolvidos
E assim eu me vi em um mundo completamente desabitado

Eu vi os fatos correrem ao largo de minha decisão
Eu vi pessoas se afastando
Eu senti que deveria partir, e realmente não mudo minha opinião agora
E o mundo partiu-se dentro de mim.

Peço, dentre todas as coisas que já pedi
Que só quero a certeza
De que meu final será rápido
Para que eu possa finalmente ter um lugar onde deitar a cabeça.


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O fim deste capítulo

Esta vai ser provavelmente a última postagem do ano. Não sei ao certo se será a última postagem no blog.
Já fazem bem uns 10 anos que criei esta página pra poder extravasar um monte de pensamentos. Escrevi coisas que, lendo agora, eu ainda me identifico, e pude ver como esse fantasma de depressão sempre me perseguiu.
Bom, o resultado da minha vida, neste exato momento, é que eu me encontro definitivamente sozinho. Tanto esforço, tantas palavras, tantas pessoas, e eu fui andando na contramão de todos, procurando respostas significativas para tudo, além do que todos vêem, além do que a maioria compreende, para tentar, eu mesmo, achar um meio-termo pra mim, uma zona de conforto, um lugar aonde eu pudesse deitar a cabeça e pudesse ter paz.
Mas todo esse sentimento que eu busquei não parece existir, porque tudo é feito de vidro. Nós só vemos uma parte de tudo, enquanto a semi-transparência do vidro, a sujeira, as intempéries, embaçam essa parede, e então começamos a achar que do outro lado dela pode haver um lugar realmente bom, onde você realmente pertença. E não é. É só mais uma parede, e do outro lado, as coisas são menos densas e palpáveis do que no lugar onde você estava antes, e tudo fica mais etéreo a cada cômodo que ultrapassa.
E então eu me pergunto que raio de lugar é esse onde moramos, onde nada é o que parece ser, e tudo é um jogo, um quebra-cabeças, onde nosso sucesso nunca será plenamente garantido. Sempre vai faltar peças, sempre vai ter algum item defeituoso, e o jogo nunca será completo.
E agora, eu finalmente cansei. Não tenho lá muita força pra continuar postando aqui. Estou escrevendo muito, muito mesmo, mas em outros lugares. Só não quero soar repetitivo e que todas as pessoas acabem pensando "nossa, ele ainda tá nessa de depressão?", ou "Você tá sozinho porque quis", ou qualquer outro pré-julgamento que vier.
E este é o fim do palhaço no espelho. Meus atos de ontem estão sendo julgados hoje por quem vai precisar de mim amanhã. Mas quem garante que eu estarei aqui amanhã?


sábado, 9 de dezembro de 2017

Réquiem

Sinto sua falta. Não vou mentir.
Sinto falta do seu sorriso, do seu cheiro, da sua voz, do seu encanto.
Me desculpe se te machuquei.
Sei que não posso voltar atrás.
Adeus.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Sim

Sim, estou vivo.
Sim, estou sozinho.
Sim, estou no meu apartamento olhando para a tela do computador, sabendo que nada útil vai acontecer.
Sim, eu terminei tudo.
Sim, eu tenho certeza que estou completamente só.
Sim, eu tive vários pensamentos "e se" hoje.
Sim, eu tentei sair de casa e não consegui.
Sim, eu estou depressivo.
Sim, todos os meus amigos me deixaram.
Sim, eu culpo a mim mesmo por isso.
Sim, eu sei que o dia vai acabar, e outro vai começar amanhã, e eu não terei feito nada de bom.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Quanto tempo tem?

Que horas são?
Quanto tempo tem?
Tempo, medida inexata
criada pela necessidade de controle
Que é deveras insuperável.

Então vamos lá:
tempo.
que horas são?
quanto tempo tem?
quanto tempo resta?
quanto tempo até tudo ser esquecido?
quanto tempo até tudo ir embora?
quanto tempo até ter notado que aproveitou o  que teve de melhor?
quanto tempo até a raiva passar?
quanto tempo até as lágrimas secarem?
quanto tempo para notar
que a sensação é sempre de vazio?
quanto tempo falta
até você ver que não faz falta?
Você fez isso ontem?
Está fazendo isso hoje?
Você fará amanhã?
quanto tempo até o final do ano?
quanto tempo até o fim do dia?
quanto tempo até o fim da vida?
quanto tempo até o seu lugar favorito?
qual a duração da sua música predileta?
quanto tempo gasta preparando sua comida?
quanto tempo passa penteando os cabelos?
quanto tempo do quarto até a cozinha?
quanto tempo até ver que tudo foi como deve ser?
e ae,
quanto tempo?


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Crise sugestionada

Mais uma vez dentro da tempestade. A tempestade de pensamentos, e memórias, e palavras, e sinos, e músicas, e cheiros, que me destróem.
Me separam da minha essência, tiram a minha estabilidade e me arrasta para dentro de um lugar escuro, vazio, frio, onde a existência não passa de um mero detalhe.
Tantos sentimentos formam as paredes desse lugar escuro. Sentimentos que não consigo ver, mas que estão lá, parados, estáticos, me impedindo de prosseguir. Me impedindo de respirar, me impedindo de viver.
Eu gostaria de saber o que move as pessoas ao meu redor. Qual a paixão delas? O que faz com que elas se sintam impelidas a agir. Será a repetição? Será paixão por alguma coisa? Ou a busca por um alvo que só eles sabem? Será somente a simples vontade de não ficar parado, algo para evitar o tédio e o ócio, ou é algo mais além disso?
Existe alguma verdade em tudo? Se tudo é sugestão, e essa sugestão vem de antes de nós, porque nos mantemos atados a esta sugestão? A crença do coletivo de que existe uma parede que separam os cômodos de uma casa poderia impedir que uma pessoa diferente a ultrapasse? Alguém que não crê nesses conceitos, nessas sugestões, nesses padrões, deveria ser limitado por anos, décadas, séculos, milênios de crenças de que existe um ponto que nos limita?
Digo, porque deveríamos ser limitados por nossos sentidos, quando há tanto mais para se ver, para se crer, para viver, entender, experimentar? Seríamos nós somente um amontoado de células que se reproduzem até determinado momento, para, a partir de então, começar a morrer, levando ao falecimento do corpo físico?
E, novamente, se somos só um amontoado células, porque deveríamos manter o mundo em movimento se, ao morrermos, poderemos nunca mais ser lembrados como os grandes pensadores e realizadores da história?
Eu ainda busco a palavra essencial, aquela que está faltando em todo o meu vocabulário, que me faça entender toda essa ópera caótica que é viver, que é respirar, que é sofrer, que é tomar dos outros o sofrimento e fazer disso algo meu, justamente porque é torturante demais permitir que outra pessoa sofra.
Se existe um universo dentro de mim, estou eu em uma fase de "supernova", explodindo, dando fim a tudo para um novo começo? Ou será que cheguei ao limite de minha expansão, e agora o que me resta é somente ver minhas células morrerem, até que eu não tenha mais reação alguma, vire um vegetal, ou só mais um corpo enterrado a sete palmos?
Não estou sozinho no mundo. Mas sei que, no meio de tantas pessoas que se aglomeram ao meu lado, eu estou sim, solitário. E sei que há outras pessoas passando pelo mesmo momento que eu, e sentindo tão só quanto eu me sinto agora. Então, deveríamos nos ver, não acha? Em algum plano astral ou metafísico, eu deveria encontrar essas outras pessoas solitárias, e me sentir menos abandonado.
Mas a mente não nos permite. Acho que estamos sim solitários, mas cada um limitado a uma parede sugestionada, que não nos deixa ver um ao outro.
E essa é mais uma das milhares de ideias que vêm à minha cabeça. Estou em crise. Estou só. Sou só. E tenho certeza que ninguém vai ler isso, ou se ler, poucas entenderão. Está tudo bem. Eu sou só um louco.

Bem vindo a todos

Bem vindo a todos. Pegue uma cerveja, ou você prefere vodka? Tem rum também, conhaque...
Sabe de uma coisa, pegue você mesmo, fique à vontade. Curta o show, ele é único. Certifique-se de que tenha desligado o celular, porque isso aqui não tem hora e nem dia para acabar.
ENJOY...

Influências

  • Aerosmith
  • Blackmore's Night
  • Devil Driver
  • Impellitteri
  • Led Zeppelin
  • Lost Weekend
  • Motorhead
  • Pain
  • Rainbow
  • Yngwie Malmsteen