quarta-feira, 25 de março de 2015
EU SOU
O desespero de todos os meus amigos
O problema dos amantes
As reclamações dos antigos
Dos dias de antes
Do nascimento.
Eu sou o pássaro que não voa
A chuva que não cai
A melodia que ninguém entoa
Aquele que se despede e não sai
Do coração.
Eu sou a tristeza dos felizes
Eu sou a mágoa dos terrenos
Eu sou o sofrimento
Das crianças perdidas
No mundo.
Eu sou o ódio dos Deuses
Sou a escuridão dos cegos
Que caminham agora por esses
Caminhos.
Tente se livrar de mim
Corra, grite
Fale, duvide
Cale-se,
Cale-se
Perante minhas expressões sem fim.
O fundo dos meus olhos são
O turbilhão dos que não nasceram
Sou a fúria do vento
Que destrói a criação
Que todos os outros idealizaram.
Meu amor é peçonha
É lava de vulcão
É o cianureto da humanidade
Sem noção.
Vou deitar minha sabedoria
Ao lado dos sábios
Esperar que algum dia
Eu ouça dos seus lábios
Que não estou errado
Enfim.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Ninguém nunca aproveitaria o tempo que tem
Quando olhamos para trás, sempre pensamos que poderíamos ter feito mais. Aí pensamos em todos os momentos que passamos pensando em alguém, o tempo que passamos junto dessa pessoa… ou não, tem isso também. Sempre temos aquela paixão secreta, e isso enche de ódio.
“Porque perdi tanto tempo pensando nisso?”, você pode considerar. “Ela tinha namorado”, “ela não sentia o mesmo por mim”, “nunca declarei o que sentia”… são as coordenadas que seu cérebro te manda enquanto começa mais uma sessão de auto-comiseração.
Aí vem o fatalismo. Aquela pequena criatura, que geralmente fica no canto da sala toma uma proporção gigantesca. Ela ganha espaço na sua memória, martirizando cada lembrança. Aí sim. Olhar para trás torna-se uma experiência terrível!
Já passei por isso mais vezes que eu gosto de relatar. Fiquei triste, furioso, decepcionado comigo mesmo. Depois, considerei “porque perdi tanto tempo lembrando essas coisas”?
Um ponto importante é que, por mais que essas memórias não sejam lá muito boas, ela precisam estar presentes. Elas que tornam os relacionamentos presentes e futuros mais significativos. Nos mostra onde erramos, onde acertamos e onde ficamos neutros.
Se todos acertássemos de primeira, ninguém gostaria de ouvir suas histórias. Pode ficar ciente disso, você que está lendo isso aqui. As pessoas gostam de saber que você está feliz no seu relacionamento, mas também gostam de curtir aquela derrota que você teve no passado. Faz com que elas não sejam tão miseráveis quando pensarem em olhar para trás. Aí vai ter aquela coisinha: “minha vida não foi tão boa, mas fulano teve uma pior que a minha”…
Bom, é exatamente nesse ponto que eu quero tocar. (Reparou o tanto de coisa que eu tive que escrever até chegar aqui?) A vida de alguém nunca é tão miserável quanto a que ele quer que seja.
Isso é porque sempre temos o dom de pensar nas coisas ruins! Gostamos da criaturinha no canto da sala, nos alfinetando com cada memória derrotista que temos, rindo da nossa cara. Mas ela também faz isso porque deixamos.
Nenhuma floresta é tão densa que não deixe passar um raio de sol. E igual a isso, nenhuma vida é tão miserável e mal-vivida que não tenha um segundo de alegria, um momento para recordar, algo para pensar e contar aos amigos e parentes.
Os momentos ruins são necessários. Já falei isso antes, então isso é uma repetição para ênfase. Então, lembre-se mais das coisas boas que aconteceram quando sua vida não culminou naquele ponto trágico. Volte uns dias no relacionamento fracassado que teve, e pense nas alegrias que ele(a) te proporcionou. Deve ter alguma coisa que você aprendeu no final disso.
O tempo ruim é útil. Faz você ver o quanto já cresceu até hoje. E o quanto vai crescer amanhã, e depois, e depois…
domingo, 9 de outubro de 2011
Acreditar
Acho que é meio difícil acreditar 100% em tudo que é falado. Se nos dermos ao luxo de crer cegamente, cairemos fatalmente na mesmice de nossas vidas, que é descobrir que nossos pais mentiam, nossos amigos de escola muitas vezes eram falsos ou o que você crê é realmente uma grande mentira.
Acho que a crença é diferente de acreditar. Ao invés de simplesmente se basear na teoria do “confiar cegamente”, poderíamos nos dar ao privilégio da dúvida. Mas não da dúvida do outro, mas sim da nossa dúvida.
Não podemos simplesmente apontar o dedo para uma pessoa e dizer: “Você me traiu!”, porque temos que analisar algo que até eu não tinha reparado: O lado da outra pessoa.
Pessoas se decepcionam todos os dias, e nós também decepcionamos os outros. Seja por uma palavra que não falamos (ou falamos), ou algo que não fizemos (ou fizemos), que vai de encontro com a atitude que a outra pessoa esperava de nós. Isso é algo a se considerar, já pensaram a respeito?
Eu mesmo, quando tive uma crise porque fui traído por uma pessoa, sua explicação para o ato foi algo que me pegou de surpresa. Ela esperava que eu tomasse partido em um assunto, e eu não tomei. Isso, para ela foi desastroso, mas para mim não significou nada. Mas para ela, para aquela pessoa que esperava um ato heróico da minha parte, ou talvez um omissão, teve a confiança traída por uma atitude oposta. Será que depois disso, eu me atreveria a falar com ela que foi tudo um equívoco, que ela não poderia ter me traído? Deveria apontar para ela e dizer que ela é uma pessoa falsa, sem sentimentos, e dar minha mão a palmatória quando ela cuspir seu desprezo na minha cara?
Acreditar é confiar. Mas a confiança não é cega. Ela tem olhos, ouvidos, boca, e principalmente, coração. Quando um desses órgãos é ferido, torna-se primordial uma defesa justa. E maior defesa que um rompimento de confiança não há.
Não somos perfeitos. Mas agimos como se fôssemos. Na nossa perfeição, porque não olhar para o sentimento da outra pessoa e mostrar empatia? Não faz mal a ninguém.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Escrever
Vou escrever hoje pelo simples prazer de ver vazio todo o meu coração, todo o meu sentimento.
Engraçado como a vida passa perante nossos olhos sempre que estamos á toa. Nos vemos tomando as decisões estúpidas, errando, se ferrando, e não podemos fazer nada quanto a isso. Simplesmente, as coisas vão continuar acontecendo, e nossa mente vai nos mostrar em camera lenta a parte onde erramos.
Mas não é sobre isso que eu quero falar. Essa parte de cima foi somente um desabafo. Vou falar sobre o que eu não fiz. Não fiz somente coisas boas. Não ajudei senhoras a atravessar a rua, não me calei perante uma situação que colocasse uma pessoa em perigo. Acho que somente isso me condenaria para sempre.
Mas segui em frente puxando de outros o que eu não tinha, para manter minha alma tranquila. Percebi que minha vida anterior não era para mim, não graças a minha própria iniciativa, claro, mas isso serviu como uma lição a ser aprendida. Ao ver jogado por terra tudo o que eu tinha como meu, caminhei por outro rumo. Não sei se me tornei uma pessoa melhor. Acho que agora eu estou um pouco, um pouquinho só, mais certo do meu futuro. Mas ainda me sinto vazio. Acho que tudo o que fazemos pelos outros, todo o altruísmo, todo o amor, é só para preencher o vazio que criamos e aumentamos com o tempo. Só o sentimento de solidão reverbera no vazio que sentimos dentro de nós. É como se gritássemos para as paredes nossas decepções e o eco formasse uma risada que nos deprimiria mais ainda.
Acho que estou melancólico demais. Nostálgico demais, triste demais, quem sabe? Há pessoas que eu tolero, pessoas que eu gosto, pessoas que eu amo, e pessoas que eu odeio, mas ainda assim, por enquanto, me sinto vazio. Acho que definitivamente falta um pouco de romance na minha vida. Mas o medo de machucar a pessoa que eu amo é tão grande que faz com que eu me retraia, me cale, e deixe passar as oportunidades perfeitas. Não suportaria a idéia de machucar a pessoa que eu amo. Porque, se amar é como ter uma extensão sua, eu tentaria ao máximo manter essa pessoa sempre sorrindo, sempre cantando, cuidaria para que ela nunca se sentisse triste, ou que se decepcionasse comigo, porque eu a amo tanto que não me importaria com o tempo gasto nisso tudo. Como eu escrevi noutro post, amor e dor podem andar de mãos dadas, mas comigo por perto, que as dores venham de fora, e não da minha parte. Nunca. Porque eu a amo.
Mais desabafos… não sei se alguém leria isso que eu estou escrevendo. São idéias minhas, não sei se alguém sentiria isso.
Vou aguardar um tempo até que eu consiga limpar as lágrimas e continuar escrevendo. Essas coisas acontecem de vez em quando. É engraçado, né? Eu que sempre procurei saber, pesquisar todas as coisas, saber sobre tudo, não saberia dizer porque eu estou triste hoje. Será que estou apaixonado? Será que eu deixei alguma coisa por fazer na minha vida? O que é isso tudo?
domingo, 26 de setembro de 2010
Amor, dor, ódio.
Você saberia me dizer o que é amar?
Se voce olhou para o outro lado, ou se apertou os lábios, piscou mais de uma vez, ou respirou fundo, é como o resto do mundo inteiro que lê essa pergunta.
Não sabemos o que é amar uma pessoa. Seria acordar ao lado dela pelo resto da nossa vida? Será que é suspirar toda vez que lembramos dessa pessoa, é relacionar a ela um perfume, uma música, um lugar?
Levantamos a sobrancelha sempre que pensamos nesses pontos. Olhamos para cima, procurando a nossa definição sobre o amor, só para descobrir que tudo o que sabemos sobre amar é simplesmente o que as outras pessoas nos falaram o tempo todo.
Mas, será que isso é ruim? Sei lá, é ruim para você? Gosta de acordar ao lado da pessoa que escolheu? Gosta de lembrar-se dela? Então, sinta-se feliz por saber o que é uma parte do amor.
Amor não tem o mesmo final de dor por coincidência. Na verdade, dor é mais fácil que amor. É só 1 letra a menos, e consegue sentir-se por mais tempo. Ela é a irmã gêmea invejosa do amor. Mais sofrido que o ódio. O ódio é o amante do amor e objeto de desejo da dor. Família com laços fortes, essa. Amamos para nos ferir e odiar a pessoa que seu pretendente ama. Acha difícil de acreditar? Faça as contas. Tudo se encaixa no quebra-cabeça.
Vou substituir minhas necessidades primordiais. Vou amar mais a mim mesmo, e deixar com que as outras pessoas me amem na mesma proporção. Quem sabe eu consiga a pessoa que eu quero?
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Ironia
Deus reside na ironia. Na ironia das coisas que falamos e nos arrependemos, e convivemos com isso o resto da nossa vida. A ironia de ver um parceiro amado morrer e ainda persistir nesse mundo quando tudo o que quer é simplesmente deitar ao lado do seu amado na outra vida, se houver. Ironia de viver nos amargurando pelo que não possuímos, viver correndo atrás das impossibilidades, de tentar mudar o rumo das coisas quando não podemos, de tentar errar de propósito e acertar em cheio no seu alvo. Isso é Deus, ele vive em nós.
Dizem que Deus é amor. Não. Deus é isso, ironia. Ela nos persegue. Desde que eu conheci o verdadeiro significado dessa palavra, é como se quase tudo o que me lembro viesse carimbado com essa palavra, marcando em meu rosto a ferida correspondente. A dor causada pela ironia é diferente.
A dor do amor é de cor cinza, podre. A dor da perda é branca, vazia. A ironia não. Ela consegue ser a cor que mais odiaríamos ver no momento que ela acontece. Por exemplo, a ironia de ver uma menina que eu estava a fim beijando outro cara num show foi de cor negra, pulsante, como um cobertor de cetim escondendo um animal. E olha que eu gosto de cores negras e cetim. Ela desceu pela garganta com gosto de féu, e quando alcançou meu estômago, conseguiu revolver-se como um turbilhão, e foi como se eu implodisse por um instante. Tudo isso numa fração de segundos. O que restou depois? A ironia, que me mostrava a cena a cada milissegundo, lembrando todo o ato, como um sádico amigo íntimo.
E depois dizem que Deus ainda é amor. Não. Mil vezes não. Deus não é amor. Amor é um sentimento dado por Deus por termos sido feitos à imagem e semelhança Dele, mas ele não é isso. Ele é irônico. Ele não joga dados. Ele sabe onde acertar, onde ferir. As feridas constroem os heróis, e que herói eu seria se não fosse a porra da ironia?
Acho que isso deveria ser lecionado nas escolas. Arte da ironia. Ela vem logo depois de um semestre de “introdução ao estudo do sarcasmo” e “intimidação para iniciantes”. Ficaria bem no currículo de qualquer um. Se alguém que está lendo isso não reparar que é vítima dessa pequena palavra, pense de novo. Estamos presos a ela, e ela nos prende, basicamente, a tudo o que temos. Se não fosse por ela, não estaríamos sequer vivos, pois quem nunca perdeu um onibus que foi assaltado, ou deixou de sair com os amigos e recebeu a notícia que houve um acidente de carro? Se você não passou por isso, está fechando aos olhos a ironia. Favor requisite seu curso “introdução ao estudo do sarcasmo” de novo.
Não que toda ironia seja ruim, longe disso. Mas o que ela dá, ela tira de outro lado. Isso é fato. Não podemos segurar todos os grãos de areia por muito tempo, uma hora aquela merda toda vai escorrer pelos nossos dedos, e ficaremos com pouca coisa. Melhor ainda, se quando a areia estiver escapando por entre seus dedos, uma ventania atacar e um pouco dessa areia cair nos seus olhos. A própria areia que você queria manter, acaba te ferindo. O que isso? Adivinha…
Talvez depois de alguém ler isso aqui, se sinta impelido a fazer alguma coisa a meu respeito. Não precisa. Eu me viro. Talvez alguém pense muito no que aconteceu, mas não precisa também. Isso não aconteceu. Ou aconteceu, não interessa. Uma pessoa vai se identificar com isso tudo, e vai se sentir mal, e vai passar o dia pensando em tudo o que aconteceu na sua vida, e vai acabar comentando isso com outra pessoa, que vai comentar com outra, e todos vão se sentir ligados por um impulso universal, que atinge a todos, desde a hora que nossos pais nos conceberam, na hora que nos tornamos fetos, na hora que nascemos, na hora que crescemos, que vimos tudo acontecer, na hora que voce está agora. E vão menear a cabeça, ou dar de ombros, e pensar: “é isso que eu chamo de ironia”…
sábado, 4 de setembro de 2010
O tempo, o pesadelo e a cova
O tempo deixa marcas maiores que simples rugas. Deixa cicatrizes. O vento corta nossos rostos, bem rente aos olhos, quando vemos uma pessoa que queríamos com alguém. E por todo o tempo que restar, até sua consciência parar de te torturar com a lembrança, voce vai pensar em porque não estava com ela no momento certo, porque não disse as palavras certas, porque deixou aquilo chegar naquele ponto. Serão tantas perguntas que voce vai franzir o cenho e ver que está sozinho. As pessoas continuarão vivendo suas vidas, pensando que voce está em crise existencial, mas somente quem passa por isso sabe o que é.
Mas voltando ao assunto “tempo”, acho que ele equivale a todas as burradas que voce já cometeu com outras pessoas. Quantas vezes dissemos que amávamos alguém sem sentir nada, não fizemos um pequeno teatrinho para não ficarmos sozinhos, ou maltratamos uma pessoa que nos amava usando uma palavra, ou então traindo, ou então deixando-a sozinha.
Tempo e pesadelos caminham juntos pela mesma escada que tentamos subir, à medida que envelhecemos. A cada degrau que vencemos, o tempo fica mais nebuloso, e os pesadelos tornam-se mais reais. Acho que, escrevendo isso aqui, eu começo a entender a cabeça dos suicidas. É mais fácil morrer que viver. Talvez, ele achou uma brecha no corrimão dessa escada, um momento que o tempo se descuidou, e então ele mergulhou de cabeça para o vazio pacífico que nada mais é que um buraco no chão. Antes tivesse escolhido ficar vivo.
Gostaria de postar isso como o ilustre desconhecido, mas acho que várias pessoas se identificariam com as palavras, e cobrariam de mim as respostas que eu retenho com tanto zelo. Talvez um dia eu poste, como uma pequena história, o nome de todas as pessoas que conseguiram construir esse sujeito que vos escreve. Vou agradecer àquela pessoa que me visitou no meu trabalho, sentou-se a minha frente, enquanto eu trabalhava e andou comigo pelas ruas com uma garrafa de cerveja na mão para ouvir minhas esquisitices. Ou então àquela pessoa que eu devo a minha vida, que me estendeu a mão quando eu estava precisando, só isso.
Mas isso eu só farei com o tempo. Talvez eu escreva um livro sobre mim mesmo assim que o tempo mandar um pouco de luz por entre as nuvens densas. Se os pesadelos pararem de cortar minhas pernas com os espinhos, eu me sentirei confortável o suficiente para fazer o que eu quero. Poderia receber de Deus uma chance de caminhar por entre uns degraus sem dificuldade, ou então me dar um alívio de todas as minhas memórias. Mas enquanto não recebo essa colher-de-chá, eu vou ficando aqui, subindo os degraus, com cada nuvem negra em cima de mim, ou com cada espinho. A dor só aumenta a vontade de ver como isso tudo vai acabar. Não vou parar na falha do corrimão e me jogar, meu buraco no chão ainda está longe de ser cavado. Foda-se.
Bem vindo a todos
Sabe de uma coisa, pegue você mesmo, fique à vontade. Curta o show, ele é único. Certifique-se de que tenha desligado o celular, porque isso aqui não tem hora e nem dia para acabar.
ENJOY...
Influências
- Aerosmith
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